Quase morrendo de frio na Grécia …

Quase morrendo de frio na Grécia …

fev 14, 2017

Hoje tu vai conhecer uma pequena parte da minha viagem onde minha teimosia (que eu prefiro chamar de “excesso de determinação”) me fez viajar “sem rumo” e quase me matou de frio.
[tempo estimado de leitura: 9 minutos]

As vezes eu tenho preguiça de ler textões em blogs de viagem. Se somos iguais nisso, você vai direto para parte do post que te interessa nos links abaixos:

lago-kournas-creta-grecia

Teimosia nem sempre é ruim

Grande parte da minha viagem foi feita pegando carona, foram quase 5.000 quilômetros em 9 países diferentes. Como é de se imaginar, a probabilidade de um motorista dar carona para uma mulher (falaremos mais sobre isso em outro post) é maior do que a de dar carona para um homem. Seguindo a mesma lógica de probabilidade, suas chances são maiores se você for uma pessoa branca.

E no meu caso? Um homem negro, com cabelo afro, de um metro e noventa, bigode e pegando carona ao mesmo tempo que diversos refugiados da Síria atravessam a Europa. Basta dizer que, bom … no meu caso demora-se MUITO MAIS TEMPO

Ou seja, teimosia (excesso de determinação) foi primordial para aguentar, algumas vezes, longas horas de espera por uma carona. Acho que algumas pessoas se perguntam, porque passar esse perreio toda pegando carona? Apesar disso ser assunto para outro post, te garanto que não é só pelo dinheiro

Quem já tentou pegar carona pela Europa sabe que a Grécia é famosa por “motoristas-que-não-dão-carona”. E de fato, esse foi o único país que, em duas ocasiões diferentes, me fez desistir de tentar pegar carona.

Uma dessas vezes (no dia anterior ao que eu quase morri de frio) eu estava tentando pegar carona com uma amiga grega, o que normalmente facilita, porém mesmo assim não conseguimos chegar onde queríamos, Istambul, Turquia.

Por essa razão, acabei criando uma rivalidade com a Grécia e um sentimento de “não vou deixar meu espírito aventureiro”.

(Quase) Morrendo de frio

Após 5 horas esperando na beira da estrada (depois de tentar pegar carona por 8 horas no primeiro dia) eu já estava quase desistindo. Com a sensação de “última carta na manga”, peguei minha bandeira do Brasil e sai do lugar que estava tentando pegar carona, um local seguro, e andei 10 minutos até a rodovia, o que além de um pouco perigoso, é ilegal.

Foi quando, com o Sol quase se pondo, o frio começando a ficar mais intenso e com a bandeira do Brasil quase voando para longe por conta do vento, minha carona apareceu. Ele estava indo para o norte da Grécia, em direção à Bulgária. Eu estava tentando chegar na Turquia (a leste) mas sabia que se anoitecesse eu nunca iria conseguir pegar uma carona. Então pulei para dentro do carro e bora!

Após uma horinha de viagem e bate-papo, o incrível motorista me deixou 30km da fronteira da Bulgária. Sendo bem sincero, ele foi muito gente fina, se desviando um pouco do caminho dele para me deixar naquele lugar.

(importante: ele parou para me ajudar por conta da bandeira do Brasil, provavelmente sem ela eu não teria conseguido).

Foi nesse momento que eu comecei a entender o que eu tinha feito. Estava no meio do nada, sem celular, sem comida, sem dinheiro na carteira, sem roupa apropriada para o frio e sem tenda para acampar em algum lugar. O primeiro pensamento que me ocorreu: “Não faça cara de triste porque ninguém quer dar carona para viajantes depressivos”.

Cerca de cinquenta minutos depois, ao som de uma banda chamada Balkans Beatbox com a bandeira do Brasil de novo esticada, um caminhão parou. “Ufa!”

Me aproximei da porta, o motorista (com uma cara de mal encarado) me perguntou alguma coisa em Grego. Pelo que entendi, ele estava perguntando se eu era da Síria. Como eu tinha aprendido um pouco de grego, nem mostrei a bandeira que estava na minha mão, já logo respondi: “Vrasilía” (o que significa “brasil” em grego).

Hoje eu vejo que essa foi uma verdadeira ideia de jerico. Por que eu não mostrei a porra da bandeira? Quase todo mundo fora do Brasil ama o Brasil =)

Imagino eu que ele deva ter entendido “SiRÍA” invés de “VrasiLÍA“, pois fez uma cara de indignado instantaneamente, fazendo gestos negativos, então fechou e foi-se embora. Mas que merda =(

Mas, como ainda não existe blog escrito por espíritos (ou existe?), deu tudo certo no final. Mais três horas depois, um senhor bulgáro em um carro extremamente chique parou, me perguntou para onde eu estava indo. Disse: “se o senhor me deixar na fronteira, já esta de bom tamanho”. E ele simplesmente responde: “Ta bom!”.

Aproveitando sua hospitalidade perguntei se poderia acompanhá-lo até seu destino final (Sofia, a capital do pais). Ele deu de ombros e disse: “Se tiver os documentos certinhos, pode”. Ele até falou com os policiais da fronteira quando atravessamos! O cara foi muito bacana!

Sem Destino

Bom, acho que essa é a parte menos “excitante” do post. Viajei sem destino pois, acabei indo para Bulgária mesmo querendo ir para Turquia e, mais importante, quando eu sai de casa eu não tinha lugar para ficar em nenhum desses dois países.

No dia anterior a toda essa história eu me candidatei a dois trabalhos voluntários, um em cada país. Ao sair de casa, eu não sabia onde terminaria o dia… Hahhaha!

Mas claro que, às vezes o universo é bom, e o trabalho voluntário que me respondeu era o da Bulgária.

Conclusão

Se tiver a oportunidade de fazer uma viagem na pegada “aventura”, faça! Quando olho o que aconteceu no meu “ano sabático” é sempre o maior aprendizado que tiro. Espero que vocês tenham gostado do relato. Não deixem de comentar embaixo o que tu achou!

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  1. Turismo (incomum) na Bulgária | Vinicius de Castro - […] (Metade do caminho foi feito pegando carona e eu quase morri de frio perto da borda, confira aqui essa…

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